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Flocagem

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O processo que está até onde você nem imagina

A flocagem, processo conhecido na serigrafia, é muito mais abrangente do que você pode imaginar. Conhecida por dar um efeito aveludado a algumas estampas serigráficas e também na área de artesanato para aveludar caixinhas, a flocagem está também no nosso dia a dia.

O processo, que deposita minúsculas partículas de fibras (flocos) em uma superfície, confere valor a estampas, texturiza diversos produtos e não há limites quanto à utilização. De simples aplicação – basta cola (ou tinta) e um equipamento para flocagem – o processo parece até mágica! O equipamento eletrostático que aplica o floco através de uma peneira ou uma bandeja, deposita o floco no substrato fazendo com que os flocos grudem no substrato “em pé” e confiram um toque aveludado diferenciado nas peças. “Você até pode jogar o floco com a mão, mas o resultado é muito pobre. Os flocos caem ‘deitados’, o que faz com que pareça mal feito e não haja total cobertura da peça. O ‘pulo do gato’ do processo de flocagem é mesmo o aparelho com campo eletrostático. É ele o responsável por dar uma cara profissional e agregar valor ao produto”, diz Célia Yshii, diretora da Flock Color.

Embora simples, a flocagem está em muita coisa do nosso dia a dia. No seu carro ele está na parte interna do teto, na canaleta do vidro, no tampão do porta-malas, no porta luvas e, em alguns modelos, também na parte interna das portas e até nos bancos. No seu guarda-roupas, a flocagem aparece naquela calça de veludo, num vestido de plush, naquela camiseta com detalhe aveludado, no chapéu de cowboy, num calçado aveludado e talvez em seus cabides para que suas roupas não escorreguem. Nos itens de perfumaria, você encontra no pincel do batom tipo gloss e em alguns pincéis aplicadores de batom e também nas esponjas aplicadoras de pó ou blush e no vidro do perfume com toque aveludado. Nos acessórios, ela está naquela caixinha de jóias, nas caixas de relógio e dos óculos e na parte interna do porta-joias. Na sua casa, você deve encontrar algum álbum flocado (especialmente os de formatura), convites de formatura, em algum enfeite que tenha textura de pelos (os de cachorrinhos e os antigos galos do tempo) e em quase todos os fundos de enfeites e santos. Até no material escolar do seu filho a flocagem está presente, pois aqueles lápis com textura e cabeça de bichinhos e os papéis camurça também são feitos de flocos – nesse último caso, de algodão.

A flocagem também pode ser realizada por razões funcionais, como isolamento térmico, fricção e redução de reflexo, além de ser utilizada em cenários de teatro, cinema e parques temáticos para criar réplicas de texturas naturais, como por exemplo, a de plantas e animais. Outro uso constante é em maquetes de empreendimentos imobiliários: a grama do jardim é sempre flocada. Mas a flocagem também tem seu lado inusitado: “há pouco tempo, foi moda unha flocada. As mulheres compravam floco para aplicar em cima do esmalte. Nesse caso, claro que aplicavam manualmente. Outro uso muito incomum é para pessoas que querem disfarçar a careca. Eles aplicam uma cola antialérgica e jogam o floco por cima, o que disfarça temporariamente as falhas. Claro que na primeira lavagem o floco sai, mas o pessoal usa muitas vezes para melhorar a aparência para participar de eventos”, comenta Célia.

Existem três tipos de flocos: os de algodão (mais baixos e sem brilho, são mais utilizados para forros, como interior de luvas ou para fabricar papel camurça, por exemplo), os de poliéster (ou rayon) e os de náilon, que atualmente são mais usados. Os flocos também estão disponíveis em diversas alturas, que vão de 0,65 mm a 3 mm e a escolha do tamanho está diretamente relacionada ao tipo de produto que será comercializado. Para veludo, são usados flocos mais altos, para forrar fundo de peças um floco mais baixo e assim por diante.

Para começar um negócio de flocagem, é relativamente simples e barato. “O principal é ter o equipamento eletrostático, que começa com valores em torno de R$ 1.000,00 para os equipamentos mais simples e aumenta um pouco para os mais profissionais. E a aquisição dos outros auxiliares vai depender do tipo de produto que você quer flocar. Para tecidos, por exemplo, além da máquina eletrostática, é necessário também um sugador – para tirar o excesso de floco do tecido – e uma estufa. Todas as peças que serão molhadas, como roupas e sapatos, têm que ir para a estufa para fixar melhor o floco”, explica Célia.

Outro ponto importante é a cola. Para cada tipo de substrato, uma cola deve ser utilizada, incluindo as atóxicas para o caso do pincel para gloss, por exemplo. “Para serigrafia, as pessoas preferem usar a tinta, já que esta não entope as telas e é de mais fácil manuseio para quem já trabalha com serigrafia. Outro macete é, para quem quer flocar vidro como os de perfume, por exemplo, lixar a peça antes de passar a cola, para promover a ancoragem”, diz Célia.
Também deve-se fazer a flocagem em local controlado e isolado do restante da empresa, já que o floco é muito leve e contamina o ambiente. “O ideal é usar um espaço específico para isso e ter também uma cabine de flocagem, que além de diminuir a quantidade de flocos volitando pelo ambiente, ainda facilita o reaproveitamento daqueles flocos que foram depositados, mas não ficaram na peça. Também é essencial o uso de máscara, para evitar que se respire os flocos por muito tempo, além de ser recomendado o uso de luvas e óculos de proteção, embora não seja prejudicial à saúde”, orienta.

Além de barata, a flocagem também proporciona um rendimento excelente. “Cada quilo de floco rende 15m² e cada quilo de cola rende 10m². Isso, na prática do dia a dia, é bastante coisa!”, diz. A variedade de cores também proporciona um sem-fim de aplicações. “Temos 45 cores em linha e também desenvolvemos cores especiais sob encomenda”, finaliza.

Agradecimentos:
Flock Color
www.flockcolor.com.br

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